QUEM SOMOS

Cosmologia e História

Por Jairo Saw

Caçadores de cabeças

“Munduruku” é a denominação dada ao nosso povo pelos Parintintin, em analogia às formigas de fogo, já que, assim como elas, os antigos partiam sempre em coletivo para suas expedições de guerra.

 

As expedições guerreiras muitas vezes duravam anos e tinham o objetivo de conquistar os inimigos e trazer para casa as “cabeças-troféus”, cabeças decaptadas e embalsamadas que produziam efeito mágico, garantindo a fertilidade na agricultura, a fartura na caça, a abundância de recursos e a proteção, além de honrarem os guerreiros e mostrarem sua aptidão ao ofício.

 

A arte da guerra Munduruku inspira-se fortemente na figura do jabuti. Suas lendas contam que a sua esperteza e o espírito de coletividade o fazia vencer os mais temidos inimigos.

 

Nos dias de hoje, para vencer as ameaças de extermínio do nosso povo, devemos utilizar nossa sabedoria. Os inimigos dos povos indígenas, assim como o cobrão, apertam suas presas até quebrarem seus ossos e as asfixiarem. Mas o Jabuti nos deu a lição de como derrotá-los.

 

Uma das coisas principais que os Munduruku devem utilizar é sua força na arte da guerra. Se hoje lutamos contra a serpente, não quer dizer que vamos cortar sua cabeça, mas vamos usar mecanismos para enfraquecer esse inimigo. 

 

O jabuti é um animal quieto e de sabedoria especial. Utiliza uma estratégia silenciosa para que o inimigo não perceba o que está tramando. Mesmo que o inimigo seja forte e grande, ele consegue vencer com a sua sabedoria. É bom na arte de estudar e investigar até descobrir a fraqueza dos rivais. 

 

Se os pariwat (brancos) usam suas leis, nós devemos também usar nossas leis, nosso conhecimentos. E eles nos dizem que os Munduruku, como os Jabuti unidos, nunca perderam uma guerra. O Jabuti é o símbolo da resistência, em que nos baseamos hoje para lutar pelos nossos direitos.

Os saberes da floresta

Para o povo Munduruku, os animais sempre ensinam alguma coisa. Cada animal traz um conhecimento, uma habilidade, uma virtude. Através de seu comportamento, de seus cantos e hábitos se aprende a verdadeira educação.

 

Um pássaro considerado da maior sabedoria é o sabiá (koropsare). Ele ensina a entender e interpretar as falas e os sonhos. A beleza do seu canto impressiona as outras aves e faz com que seu discurso provoque admiração e respeito perante as outras pessoas (espécies).

 

O beija-flor, por sua vez, é o animal da velocidade. Traz rapidez de pensamento e também de locomoção dentro da mata. Suas habilidades são passadas aos bons e velozes caçadores. 

 

A sabedoria Munduruku vem da floresta e dos animais. As mensagens que recebemos, avisando de notícias boas ou ruins, nos chegam através deles. Mas não são todas as pessoas que podem compreender suas falas, pois eles vivem em outro mundo. 

Todos os animais estão em outro mundo. Nós os enxergamos como animais, mas entre eles, eles se veem como pessoas. Porque eram pessoas e foram levados para o mundo animal pelo criador de todas as coisas, Karosakaybu. 

 

Os homens se transformaram em animais assim que as mulheres decidiram viver no reino das águas. 

As mulheres se transformaram em peixes e as crianças viraram pássaros. 

 

Esses eram os primeiros habitantes do mundo. A partir dessa época, os primeiros habitantes da Terra se transformaram em animais.

 

Os animais conseguem ver o nosso mundo e o mundo em que estão. Por isso, os cachorros latem com presenças quase ocultas. Os animais são todos pajés.

 

Os animais só podem ser vistos por nós como humanos quando sonhamos. Nos sonhos, eles aparecem como pessoas e avisam sobre as consequências que sofreremos caso maltratemos a floresta.

 

Por isso, sabemos que os animais sempre querem dizer algo para nós. Mas só entende quem realmente sabe e pode interpretar.



Associação Indigena PARIRI

https://www.aipariri.com.br/

 

Sobre

Com sede na Aldeia Praia do Mangue (Itaituba), a associação Pariri foi criada no dia 8 de novembro de 1998, com o principal objetivo de lutar pela sobrevivência física e cultural do povo Munduruku do Médio Tapajós, representando legalmente   Reserva Praia do Índio, Reserva Praia do Mangue, Terra Indígena Sawre Bapim e Terra Indígena Sawre Muybu. 

 

A Associação é composta pela Diretoria, que cumpre mandato de dois anos, pelo Conselho Fiscal e pela Assembleia Geral, onde são discutidas as atividades desenvolvidas e os projetos futuros com lideranças das aldeias representadas.

As atividades da Associação contam com o apoio de Organizações não governamentais brasileiras e estrangeiras, de coletivo e membros não-indígenas independentes.

 

 

Atuação 

A atuação da Associação visa unificar as demandas e os problemas das comunidades (especialmente oriundos do contato com a sociedade nacional) para representá-las com mais força junto a órgãos federais, como FUNAI, SESAI Ministério Público Federal. Seu trabalho diplomático requer que a coordenação e seus membros conheçam bem tanto o funcionamento e as instituições da sociedade envolvente, quanto a cultura e a língua Munduruku, já que a principal missão da Associação Representativa é lutar pelos direitos indígenas e pela melhoria da qualidade de vida nas aldeias, por meio do fortalecimento de seus valores culturais tradicionais e de projetos de sustentabilidade.

Ao longo dos últimos quinze anos, a Pariri desenvolveu projetos de ensino do idioma nativo nas aldeias urbanas e próximas à cidade de Itaituba, organizou encontros anuais e itinerantes , para promover a integração das comunidades do Médio Tapajós, reafirmar os valores Munduruku e discutir ameaças aos seus direitos; além de ser parceira com a Funai para execuação do projeto de Ensino Médio Integrado, Ibaorebu. 

A Pariri atua junto a outras associações Munduruku do Alto Tapajós, e junto ao Movimento Ipereğ Ayũ na defesa dos direitos indígenas, cujas violações vêm se intensificando a cada dia com os projetos de desenvolvimento previstos para a região (hidrelétricas, hidrovias, agronegócio, extração de madeira) e pela invasão e exploração ilegal das nossas terras.

Além de ter organizado expedições de autodemarcação na TI Sawre Muybu, entre 2014 e 2019, a Pariri vem focando suas mais recentes ações em: 

 

– Gestão territorial (plano de vigilância e ocupação do território) e continuidade da autodemarcação da TI Sawre Muybu;

– Demarcação da TI Sawre Bapim;

– Intercâmbio com outros povos indígenas e comunidades ribeirinhas, participação em autodemarcações desses aliados;  

– Educação indígena e comunicação comunitária (Apoiar as discussões e ações de construção de uma educação realmente diferenciada, promover cursos com detentores de saberes tradicionais (Médio e Alto Tapajós) – cultura Munduruku,plantas medicinais, roça,, trançar de redes, cestos, etc)

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Associação das mulheres Wakoborun

Sobre

A Associação das mulheres Munduruku Wakoborun foi criada em 2018 para fortalecer o grupo de mulheres guerreiras e dar apoio ao movimento Ipereğ Ayũna luta contra os grandes projetos que ameaçam nosso território. Estamos envolvidas na discussão sobre direitos próprios, comunicação, agroecologia e na articulação da participação das mulheres nos movimentos e ações do nosso povo. .

A missão das mulheres é proteger e defender a vida e nosso território, garantir nossa voz, nossa vez de ter autonomia das mulheres na luta junto com o povo Munduruku. Nós queremos que as mulheres participem mais das reuniões e nas ações das organizações do povo Munduruku .. Nós sabemos que as mulheres guardam a força e a cultura do nosso povo. Por isso nós estamos fortalecendo a organização das mulheres, valorizando o trabalho e a sabedoria das guerreiras. Nossa estratégia é valorizar o nosso artesanato, a nossa roça, as nossas expedições de autodemarcações e levar mais mulheres para participar de reuniões, audiências, debates e encontros, porque só nós mulheres podemos falar da nossa dor.

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     Movimento     ipereg ayu

Sobre

O Movimento Ipereğ Ayũ é o movimento de resistência do povo, na luta contra grandes projetos que ameaçam o território. Foi organizado em 2012, no contexto da intensa luta contra a construção de Belo Monte e contra as usinas do Tapajós e Teles Pires. Visite o site do movimento.

https://movimentoiperegayu.wordpress.com/